sábado, 28 de agosto de 2010

A nova liga dos campeões mundiais


O Campeonato Espanhol está entrando em uma nova era. A temporada que se inicia vem para desfazer a imagem de uma competição dominada por jogadores estrangeiros, que lhe valeu o apelido de "Liga das Estrelas", para inaugurar um novo rótulo: a liga dos campeões mundiais. Durante o ano de 2010/11, o país de Andrés Iniesta e Cia. verá desfilar nos seus gramados 19 dos 23 jogadores que tiveram a honra de erguer a taça da Copa do Mundo da FIFA no estádio Soccer City, em Johanesburgo.

A expectativa é por um novo duelo entre Barcelona e Real Madrid, cujo predomínio ficou mais do que evidente nos últimos seis anos, em que o clube catalão foi campeão quatro vezes e a equipe merengue duas. No ano passado, o título foi decidido no clássico entre os dois gigantes do futebol espanhol, que bateram recordes, ultrapassando ambos os 90 pontos. A disputa se manteve até as últimas rodadas e se definiu por uma diferença de apenas três pontos. Em terceiro lugar, o Valencia se limitou a assistir à briga pela taça a nada menos que 25 pontos de distância. Com a crise econômica agravando ainda mais o abismo entre os clubes, a supremacia da dupla de arquirrivais parece longe de estar ameaçada.

O campeão
O Barça vai em busca do tricampeonato consecutivo apostando em um elenco cuja base encantou o planeta bola nos últimos anos pelo futebol bonito e eficiente. Com uma verdadeira constelação no vestiário, acabou o mito do grande astro, o que torna difícil destacar hoje um único nome do plantel. O técnico Josep Guardiola tem o privilégio de contar com oito campeões mundiais pela seleção na África do Sul 2010, entre eles uma novidade em relação à última temporada: David Villa.

O artilheiro letal da Fúria chega para reforçar um ataque já renomado, do qual Lionel Messi continua sendo a referência (apesar da incontestável qualidade de Xavi e Iniesta e cia). Os três gols do argentino na partida de volta da Supercopa da Espanha, contra o Sevilla, anularam a vantagem adversária de 3 a 1 no jogo de ida e deixaram claro que o melhor do mundo já recuperou a alegria de jogar após uma participação discreta no Mundial.

Guardiola se mantém atento às divisões de base do clube e não hesita em compensar algumas baixas de peso no time titular com jovens desconhecidos, porém promissores. É com essa política que ele pretende minimizar as saídas de Thierry Henry, Rafa Márquez, Yayá Touré e a provável perda de Zlatan Ibrahimovic.

Os concorrentes
Embora tenha colecionado números espetaculares no último campeonato, o Real Madrid perdeu mais uma vez a batalha contra o Barcelona. Por isso, decidiu contratar um dos poucos treinadores que souberam parar o rival: José Mourinho. Depois de conquistar com a Inter de Milão, dentro do Santiago Bernabéu, a Liga dos Campeões (torneio que já havia vencido com o Porto em 2004), o português resolveu ficar na capital espanhola para assumir o desafio de levar os merengues de volta aos títulos.

Mourinho, no entanto, não poderá contar com dois ídolos do clube, Raúl e Guti, que este ano jogarão na Alemanha e na Turquia respectivamente. Cabe agora ao goleiro Iker Casillas ser a referência espanhola da equipe. Já Cristiano Ronaldo, um dos pilares do ano passado, e Gonzalo Higuaín precisam redefinir seus papéis em uma equipe que aguarda a recuperação definitiva de Kaká e Benzema. Por fim, os recém-chegados Sami Khedira e Mesut Özil terão de dar continuidade ao futebol exibido na África do Sul, diante da sempre exigente torcida madridista.

Correndo por fora
Após uma temporada em que começou mal e terminou muito bem, com o título da Liga Europa e o vice da Copa do Rei, o Atlético de Madri quer se consolidar entre as principais potências do futebol espanhol e, para isso, não poupou esforços no mercado. Tiago, Fran Mérida, Diego Godín, Filipe Luis, Mario Suárez e Diego Costa vieram para se juntar à dupla Diego Forlán e Sergio Agüero.

O Sevilla, por sua vez, entra abalado na competição, depois de uma terrível semana em que deixou escapar o título da Supercopa e ainda perdeu a vaga na Liga dos Campeões para o Braga. A equipe andaluz, porém, manteve os seus principais jogadores, salvo o lateral-esquerdo Adriano, e possui um elenco equilibrado para voltar a ser protagonista este ano.

A torcida do Valencia tem motivos para se preocupar. Diante das dificuldades econômicas, o clube precisou se desfazer de três dos seus astros: David Villa, David Silva e Carlos Marchena. As baixas, entretanto, não impedem que a equipe mire nas primeiras posições da liga e sonhe com um sucesso continental, remediando as perdas com novas caras, como Aritz Aduriz, Tino Costa, Roberto Soldado e Mehmet Topal. Mas o Valencia precisa ficar atento ao vizinho Villarreal, que renovou o plantel e tem tudo para lhe fazer sombra nesta temporada.

Principais contratações
Como de hábito, o Real Madrid foi o clube espanhol que mais investiu em reforços. Mesut Özil, Sami Khedira, Ricardo Carvalho, Ángel Di María, Pedro León, Sergio Canales... A aposta é na mistura de jogadores renomados e jovens promessas para dar início à era pós-Raúl e Guti. Enquanto isso, o eterno rival Barcelona só assinou dois novos contratos, o de David Villa e o do lateral-esquerdo brasileiro Adriano.

Para ficar de olho
Grande parte das atenções dos torcedores estará voltada para os novos campeões mundiais, mas vale a pena ficar atento a algumas das promessas que irão escrever o futuro da seleção espanhola. Mourinho já depositou confiança no jovem Canales, que se destacou no Racing Santander, onde estreou na Copa da UEFA aos 17 anos. Durante a pré-temporada, o técnico luso lançou mão de alguns jogadores das divisões de base do Real, o que pode representar uma mudança de rumo na política merengue.

No Barcelona, Thiago Alcântara, filho do brasileiro Mazinho, Jonathan dos Santos e Jeffrén Suárez foram escalados mais de uma vez como titulares e não fizeram feio. Com poucas contratações, Guardiola pode surpreender com o surgimento de um novo Pedro.

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